quinta-feira, 2 de outubro de 2008

A massificação na arte - 1ª parte

Desde muito tempo, parte da arte em geral tem sido constantemente utilizada para fins além da memória do povo. Mesmo após a implantação da lei que proíbe o jabá, modismos passageiros sem profundidade lírica ainda ditam as paradas de sucesso nas rádios. As novelas ainda tomam conta do horário nobre das emissoras da TV. Muitas instalações expostas em museus se tornam inacessíveis, em todos os sentidos.

Como mudar essa situação? Boicotando as grandes gravadoras? Fazendo campanhas como um abaixo assinado para mudar a programação da TV aberta? Só assistir filmes nacionais de vanguarda e europeus? Cada um pode fazer a sua parte. Porém a questão é mais complexa...

O acesso à educação, a livros e a cultura ainda é restrito. A educação também sofre com uma crise que envolve não só a própria educação, mas também a falta de investimentos. É possível encontrar, no Brasil, analfabetos que estão há um bom tempo na escola.

Os grandes meios de Comunicação acabam, muitas vezes, se aproveitando da situação e manipulam “implicitamente” o povo, ditando o que é bom e ruim em termos de valores sociais, culturais e ideológicos.

Aprendi em Arte e Estética, uma matéria interessante da faculdade, a importância do valor cultural de um povo. A partir desse conceito, acredito que, mesmo em meio às manipulações, a arte ainda pode fazer revoluções e transformar a sociedade.

2 comentários:

Alacir disse...

Via de regra, análises feitas sobre as manifestações da cultura de massa (via música, tv, etc), especialmente no Brasil, sob uma ótica minimizante de seus efeitos sobre a cultura popular, talvez até sob um patrulhamento ideológico maniqueísta, resolvem privilegiar os fatores alienantes, que ali existem _ não se pode negar _ mas que não são suficientes para negar-lhes seu valor como canal aberto (escancarado, aliás) para a democratização de todas as manifestações culturais, sejam elas autóctones, herdadas ou absorvidas de outras culturas.
Quando uma manifestação cultural, qualquer que seja ela, deixa os guetos frequentados apenas pelos iniciados, pelas almas iluminadas que ditam as regras do diletantismo e ganha as ruas, para cair nos braços da massa popular, ela _ certamente _ sofre os efeitos e metamorfoses desse contato. Transforma-se para fugir ao domínio daquele gueto, e ganha de seus antigos predecessores, ressentidos pelo filho que abandona a casa, alcunhas menos nobres.
Do mesmo modo, quando manifestações culturais provenientes dos núcleos menos reconhecidos pela casta mais erudita da sociedade (por exemplo, os ritmos musicais provenientes da África, ou o samba nascido nos morros) e começa a ganhar um lugar, digamos, de honra, dentro desse espaço, digamos, seleto, é olhado de viés, ao dar a impressão de ocupar um lugar que não lhe pertence.
Ora, o grande mérito das manifestações da cultura de massa é, exatamente, aproximar os opostos, democratizar o acesso a todas as manifestações culturais, quebrar as regras que tentam emparedar e restringir essas manifestações aos guetos particulares.
Porque a arte nasceu, não apenas para ser veículo do conhecimento, mas também para sublimar na alma humana todas as suas capacidades de se encantar, conviver e ser feliz.
Portanto, não é a toa que o Brasil, sendo um dos celeiros culturais mais ricos do mundo, talvez pela herança de suas origens históricas e localização geográfica privilegiada, brilhe no cenário mundial com manifestações culturais das mais diferentes origens, e nem todas de origem tão erudita assim. Quem pode negar que produzimos as melhores novelas do mundo? Também a melhor música, e por aí vai...
Meros conceitos acadêmicos não podem impedir a natural evolução cultural de um povo. Agora mesmo, a cara do Brasil de daqui a 50 anos, já começa a ser fabricada nesse interior, só que ainda não podemos vê-la. Mas ela será, certamente, a manifestação misturada e legítima da vontade de cada um de nós. Melhor desfrutar do que trouxer de bom, ao invés de lançar sobre ela um olhar sombrio e preconceituoso!

Grande abraço, Rafael, e parabéns pela iniciativa de seu Blog.

Alacir

ludi um disse...

Salve Rafael,
belo trabalho rapaz,esta iniciativa sua é muito importante.Agora,eu Ludi Um,gostaria muito que a arte fosse realmente massificada e que todo o cidadão e quaisquer cidadão fosse um contumaz consumidor de arte e principalmente de cultura.Mais o que julgamos ARTE???É arte só o que a grande mídia nos dita como arte???É arte só os que os pseudos intelectuais nos determina como arte???Ou é arte toda e quaisquer expressão artística vindo das academias ou das ruas???
Estas perguntas me faço todo os dias e uma pergunta não me foge da cabeça:de que forma viabilizo democraticamente a cultura?
Parabêns mais uma vez,longa vida ao blog e Cultura sempre...
PAZ+AMOR+RESPEITO!!!