sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010

Quando a cultura popular é ofuscada pelo consumo

Com o tempo, manifestações culturais genuinamente populares perdem força para apropriações e subdivisões muitas vezes mal intencionadas, cheias de estrangeirismos. Porém, essas imitações são rotuladas de forma a substituir a arte popular, que cai, aos poucos, no esquecimento. A questão não é, simplesmente, defender uma arte pura e 100% regional, pois isto seria uma utopia devido à abrangência da cultura popular brasileira e ao grau de influência que a mesma sofre e sempre sofreu de outras culturas.

As pessoas, hoje, se preocupam muito mais em acompanhar algumas novidades de certo gosto duvidoso, apelativo e muitas vezes com uma proposta desvirtuada do que manter-se fiéis ao que caracteriza os movimentos culturais populares e suas vertentes. Com isso, a tendência é que a arte popular perca força e seus objetivos. Mesmo que a arte popular passe por mudanças significativas ao longo do tempo, é importante a quem estiver a ela relacionada, ou seja, todos nós, a preocupação em não se desvencilhar das origens da mesma, lembrando que a arte é a expressão popular que representa interpretações sobre seu cotidiano social, que é transformado em história.

A voz da cultura é a voz do povo, mesmo quando está subversivamente ou subjetivamente revelada por obras nem sempre valorizadas. Por trás de cada obra de arte - seja ela em desenhos, imagens, traços, palavras, idéias concretas e não concretas – há sempre uma mensagem para ser redescoberta e vivida intensamente.

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