segunda-feira, 11 de outubro de 2010

Resenha: show do Rush na Praça da Apoteose (10/10)

Ontem, desta vez na Praça da Apoteose, o Rio de Janeiro foi palco de mais um espetáculo do Rush, que havia feito sua apresentação anterior no Maracanã em 2002, num show não menos grandioso, que rendeu o DVD ‘Rush in Rio’.

O local do show, marcado historicamente pelo samba, abrigou um dos maiores espetáculos do Rock Progressivo na cidade maravilhosa.

Diferentemente do show anteriormente realizado no Rio - em que houve uma maior divulgação do bom álbum ‘Vapor Trails’ dos canadenses -, o foco foi uma retrospectiva na carreira da banda, com direito ao clássico ‘Moving Pictures’ tocado na íntegra.

Desta forma, clássicos como ‘Tom Sawyer’, ‘YYZ’ e ‘Red Barcheta’ não faltaram na apresentação, além de outras canções não menos excepcionais como a bela e empolgante balada ‘Closer to The Heart’, além de pérolas como ‘Marathon’, ‘Freewill’, ‘La Via Strangiatto’, a épica ‘2112 Overture/ Temples of Syrinx’, entre outras.

Vale destacar também as duas ótimas músicas inéditas tocadas no show, ‘Caravan’ e ‘BU2B’, previstas para integrar o próximo lançamento em CD do Rush.

Com abertura e fechamento expostos em interessantes vídeos, a apresentação foi marcada como um espetáculo interativo com o público, com direito aos estonteantes e musicais solos de Neil Peart e Alex Lifeson, além de seus belos improvisos juntamente com Geddy Lee, mais conhecido como “God” Lee, título que, após o show, tornou-se ainda mais significativo.

sábado, 9 de outubro de 2010

Talento do bandolim no Teatro municipal de Niterói (resenha)

Quinta feira passada foi um dia especial, em que o Teatro Municipal de Niterói foi palco de uma emocionante apresentação solo do bandolinista Hamilton de Holanda para um programa de rádio dedicado à música instrumental.

Entrevistado pelo saxofonista Leo Gandelman, outro grande músico, famoso e atuante na terra artisticamente fértil de Araribóia, Hamilton falou desde a influência musical oriunda de sua família pernambucana até sua recente turnê européia, que rendeu um disco ao vivo gravado em diversos países do velho continente, com músicas de sua autoria e clássicos como ‘Canto de Ossanha’ (de Baden Powell e Vinícius de Morais).

No show, dividido entre entrevista e apresentação de temas autorais e clássicos de Pixinguinha a Baden Powell adaptados ao bandolim de Hamilton, o público, presente em um bom número, parecia estar em transe com cada nota que o músico extraía de seu instrumento, sendo premiado com um intenso e sintonizado dueto entre Hamilton e Leo Gandelman na parte final da apresentação.

O programa é gravado no Teatro Municipal toda primeira quinta feira do mês e transmitido às terças feiras pela MPB FM.

domingo, 23 de maio de 2010

"Bestsellers" no supermercado

Um dia desses, fui surpreendido por uma estante de livros quando fazia compras em um supermercado. Os livros ou volumes, quase todos com selos de números de vendas ou, pelo menos, indicações de que seriam “bestsellers”, me levaram, em poucos minutos, a um sentimento de estranha admiração. Não que eu me preocupasse em ler livros comercialmente bem sucedidos, mas fiquei surpreso ao ver livros em geral com uma acessibilidade que há certo tempo seria surreal.

De um lado, passei os olhos desinteressados por livros de auto-ajuda. Com o tempo, percebi que, até certo ponto da estante, os livros de literatura e auto-ajuda pareciam estar misturados entre si, dando uma leve impressão de que, pelo menos ali, não havia distinção entre a função de ambos os gêneros.

Se, por um lado, esse tipo de acessibilidade pode incentivar a leitura além do ramo ainda restrito das grandes livrarias, também pode limitar as opções de compra de títulos a partir da ‘comercialidade’ dos mesmos, deturpando, muitas vezes, o que representa a qualidade de uma obra literária.

Porém, inegavelmente, pode ser um passo, ainda que curto, para levar a literatura a pessoas que nunca tiveram o hábito ou a oportunidade de ler um livro, ou, pelo menos, chamar a atenção para a importância que o universo dos livros tem.

quinta-feira, 20 de maio de 2010

Rock'n'Roll: uma história de peso!

Desde que o cantor e guitarrista Chuck Berry, entre outros, modernizou e acelerou o blues, consolidando o que viria a ser o Rock’n’roll de raiz, o Rock já nascia rodeado por polêmicas. O gênero musical talvez seja, ao mesmo tempo, o mais vanguardista e contestador e um dos que se mantêm com alguns dos mais fiéis seguidores do mundo da música.

Para quem acha que o bom e velho Rock’n’Roll é sempre igual, basta escutar discos entre os diversos e múltiplos movimentos musicais que o englobam. Os próprios garotos de Liverpool (Beatles) foram uma metamorfose ambulante durante sua carreira, começando como uma banda mais comercial para a época e sendo considerada posteriormente uma banda quase psicodélica, com clássicos absolutos como ‘Lucy in the Sky with Diamonds’ e ‘Come Together’, só para citar alguns.

Enquanto isso, os Rolling Stones e The Who sempre foram eternos rebeldes do Rock inglês, se contrapondo à temática inicial das canções dos Beatles, como em músicas mais influenciadas pelo Blues genuíno e uma veia mais abrangente em termos musicais. Com o tempo, de forma mais reflexiva e implícita, os Beatles passaram também a exercer papel fundamental para a visão crítica e rebelde da juventude da época, até mesmo pelo sucesso inegável que a banda já havia alcançado.

Do Rock Progressivo, que teve seu auge do final da década de 60 ao início dos anos 70, podemos destacar entre as bandas que se eternizaram como ícones do estilo que impôs experimentalismo e riqueza harmônica extrema ao Rock, expoentes de peso como Pink Floyd, Jethro Tull, Camel, Focus, Yes, Premiata Forneria Marconi, King Crinsom, entre muitos outros que tiveram seus altos e baixos.

Em meados dos anos 70, houve uma mudança radical no Rock, surgindo assim o Punk Rock, de Sex Pistols a The Clash e, posteriormente, seus derivados. O Punk Rock marcou época com um som anárquico e direto contra uma Inglaterra lembrada com certo saudosismo pelo Queen. No Punk Rock, diferentemente da abrangência sonora do Queen, surgiu o lema “faça você mesmo”.

A partir da mudança imposta pelo Punk Rock, vieram vertentes menos radicais e que passaram a mesclar sonoridades dentro do subgênero, como o Pós Punk, que deu origem ao Rock gótico em geral por sua veia simples, porém fortemente melancólica e introspectiva, a partir de nomes como Smiths, Siouxsie and The Banshees e Sisters of Mercy.

A partir dos anos 80, houve uma verdadeira revolução no Heavy Metal, oriundo do Hard Rock, e no Rock alternativo em geral, influenciado pelo Pós Punk e até pela música Folk americana. Após esse período, houve outros movimentos musicais que também foram importantes para a evolução do Rock atual, porém como evoluções de estilos anteriores, muitas vezes mesclados de forma a criar-se novos subgêneros.

Até os dias de hoje, o Rock’n’Roll fez e faz parte de inúmeras gerações e teve papel fundamental para a visão crítica de jovens de diversas épocas, do pacifismo rebelde de Woodstock ao peso impactante do Heavy Metal.

quarta-feira, 28 de abril de 2010

Heavy Metal: entre o peso, clichês e versatilidade

Há gêneros musicais que se reinventam dia após dia, permanecendo vivos devido à atualização dos mesmos, seja pela mistura com outros estilos ou pelas inovações sonoras. Mesmo quando mantém uma linha musical fiel às suas raízes, o Heavy Metal, contrariando o que muitos dos leigos poderiam pensar, se reinventa a cada época e permanece como um gênero musical eclético dentro da fórmula sonora das bandas clássicas do estilo.

De uma das bandas precursoras do estilo e com um som mais aproximado do Hard Rock/Stoner, o Black Sabbath, ao Death Metal Melódico sueco atual, muitos cenários musicais se formaram durante diversas décadas até que pudéssemos presenciar a gama de vertentes que formam o cenário mundial do Heavy Metal.

Inicialmente, cada vertente parecia isolada em cada região em que se originava, como o Black Metal norueguês e o Trash Metal norte americano de meados dos anos 80, assim como a New Wave of British Heavy Metal (“Nova Onda do Heavy Metal Britânico”), o cenário que revelou bandas consagradas como o Iron Maiden e o Saxon.

Com o passar do tempo e a popularização do estilo por todo o mundo, se originaram outras vertentes, que muitas vezes são, até hoje, evoluções e misturas de elementos mistos das anteriores.

quinta-feira, 1 de abril de 2010

Do Samba ao Jazz: a influência da realidade social na música negra

Se comparado ao Jazz, o Blues é um gênero musical menos técnico e marcado pelo sentimento. Um fator importante que revela a realidade social no ambiente que se gerou o Blues enquanto estilo musical foi o fato de seus precursores serem, em sua maioria, autodidatas. Um ambiente mais rural e sofrido marcou a solidão transposta nas emotivas notas que marcaram o estilo.

O Jazz, de caráter mais urbano e gerado nas grandes cidades norte-americanas, foi crucial para a inclusão social de músicos negros na elite musical, sendo considerado por muitos um estilo mais diversificado e erudito dentro da música negra em geral. Neste gênero, foram inseridas outras formas de tocar de acordo com a influência de diversos músicos – entre eles o trompetista Miles Davis e o guitarrista Wes Montgomery (que era autodidata) - que aderiram ou contribuíram para a fundação do estilo, que é marcado pela complexidade e sofisticação, entre mudanças de compasso e altas doses de improvisação.

No Brasil, um exemplo de música negra que teve sua relação exposta com o meio social foi o Samba, que gerou subgêneros e posteriormente diversas outras vertentes, como a Bossa Nova, fusão do Samba com o Jazz. A Bossa Nova popularizou o Samba ao redor do mundo, ao relacionar a harmonia do Jazz com o suingue do Samba. Porém, antes do surgimento da Bossa Nova, o Samba tinha uma veia fortemente popular dentro do país, chegando a causar polêmica por sua veia crítica em defesa da população mais carente do subúrbio carioca, principalmente. Seus cantores e músicos eram considerados polêmicos por expor, de forma poética ou até mesmo escrachada, os problemas sociais do povo.

terça-feira, 23 de março de 2010

Cultura como inclusão social

Há projetos, em comunidades e áreas carentes em geral, que oferecem como alternativa de inclusão social o aprendizado e envolvimento com a cultura, com foco profissionalizante ou pelo menos como uma alternativa de educação social.

Algumas das entidades que se dedicam a essa nobre proposta raramente recebem incentivos externos. Porém, mesmo com dificuldade, conseguem, geralmente, cumprir seu papel.

Geralmente, desses projetos sociais que envolvem a cultura, costumam ser revelados grandes talentos, mistos de dedicação e aptidão, principalmente no campo musical.

Um exemplo é o da precoce e virtuose pianista que apareceu no Fantástico, que teve uma rara oportunidade de mostrar ao Brasil seu talento ao lado de um conceituado pianista.

Porém, alguns desses artistas não têm a mesma sorte pela falta de investimentos e de interesse da nossa sociedade, que muitas vezes trata esse tipo de caso como uma exceção anômala ao invés de enxergar a cultura como exemplo de inclusão social.

A inclusão “sociocultural” ocorre desde o acesso à leitura, consequentemente formando reflexões, autoconhecimento e conhecimento social, em projetos em bibliotecas, como no projeto Roça de Livros, localizado na Biblioteca do Dezessete do município de Santa Maria Madalena, RJ, como em outras expressões artísticas que outros projetos enfocam.