segunda-feira, 22 de novembro de 2010

A linha tênue entre o popular e o erudito

Através das transformações que ocorrem constantemente na cultura em geral, a arte de origem popular passou a estar cada vez mais próxima àquela produzida nas instituições de renome, restrita durante muito tempo a públicos seletos.

Um dos mais importantes fatores, entre os que colaboram para a ambigüidade entre os conceitos citados, é a influência do cotidiano popular, quando este se torna utilizado para retratar a vida que cerca o artista e sua sociedade. Outro importante fator é a necessidade que a arte tem de ser reinventada e adaptada constantemente para que continue atrativa a um público em massa, passando por várias gerações, como acontece muito constantemente na música.

Nas artes plásticas e na literatura, por exemplo, houve diversas tentativas de inovações estéticas e ideológicas pela constante necessidade de expressão de alguns artistas, que quebraram tabus impostos pelas grandes “academias” e escolas de arte, ampliando o conceito de arte, mesmo que, às vezes, de forma polêmica ou subjetiva.

Outro exemplo ocorreu com a música erudita, há séculos atrás. Na medida em que alguns compositores renomados passavam a freqüentar e a se apresentar em espaços antes vistos como locais para uma população com baixo poder aquisitivo, a “grande” música – assim como a arte de forma geral - foi, passo a passo, sendo democratizada e ganhando um público mais amplo.

Cultura de qualidade a preço acessível no Teatro Municipal de Niterói

Atualmente, o Teatro Municipal de Niterói tem se firmado como uma boa opção para quem deseja assistir a bons espetáculos a preços acessíveis. Alguns dos eventos apresentados no palco do Teatro são sinônimos de qualidade, como a gravação do programa de rádio “Instrumental MPB Ao Vivo”, gravado na primeira semana de todo mês e transmitido pela MPB FM. Apresentado pelo saxofonista Leo Gandelman, um dos mais respeitados músicos da cidade, o programa recebeu, recentemente, entre shows e entrevistas, as apresentações do bandolinista Hamilton de Holanda e do baixista Arthur Maia, instrumentistas reconhecidos nacional e internacionalmente pelo seu talento.

Além da gravação do programa citado, há outros eventos acessíveis, inclusive em outras áreas da Arte em geral. Apresentações de dança, por exemplo, também sempre marcaram presença no Teatro Municipal. Os ingressos podem partir de R$ 1 - dependendo do horário e do dia - e as opções são das mais diversas possíveis.

Em alguns eventos realizados recentemente no local, como na apresentação de Ballet da Companhia de Ballet de Niterói em um espetáculo em tributo ao eterno músico e compositor Pixinguinha, há descontos que tornam ainda mais atrativos os espetáculos. Neste espetáculo de dança em especial, que custaria normalmente R$ 20, houve um desconto para R$ 5 a quem comprovasse ser morador de Niterói, apresentando comprovante de residência.

segunda-feira, 11 de outubro de 2010

Resenha: show do Rush na Praça da Apoteose (10/10)

Ontem, desta vez na Praça da Apoteose, o Rio de Janeiro foi palco de mais um espetáculo do Rush, que havia feito sua apresentação anterior no Maracanã em 2002, num show não menos grandioso, que rendeu o DVD ‘Rush in Rio’.

O local do show, marcado historicamente pelo samba, abrigou um dos maiores espetáculos do Rock Progressivo na cidade maravilhosa.

Diferentemente do show anteriormente realizado no Rio - em que houve uma maior divulgação do bom álbum ‘Vapor Trails’ dos canadenses -, o foco foi uma retrospectiva na carreira da banda, com direito ao clássico ‘Moving Pictures’ tocado na íntegra.

Desta forma, clássicos como ‘Tom Sawyer’, ‘YYZ’ e ‘Red Barcheta’ não faltaram na apresentação, além de outras canções não menos excepcionais como a bela e empolgante balada ‘Closer to The Heart’, além de pérolas como ‘Marathon’, ‘Freewill’, ‘La Via Strangiatto’, a épica ‘2112 Overture/ Temples of Syrinx’, entre outras.

Vale destacar também as duas ótimas músicas inéditas tocadas no show, ‘Caravan’ e ‘BU2B’, previstas para integrar o próximo lançamento em CD do Rush.

Com abertura e fechamento expostos em interessantes vídeos, a apresentação foi marcada como um espetáculo interativo com o público, com direito aos estonteantes e musicais solos de Neil Peart e Alex Lifeson, além de seus belos improvisos juntamente com Geddy Lee, mais conhecido como “God” Lee, título que, após o show, tornou-se ainda mais significativo.

sábado, 9 de outubro de 2010

Talento do bandolim no Teatro municipal de Niterói (resenha)

Quinta feira passada foi um dia especial, em que o Teatro Municipal de Niterói foi palco de uma emocionante apresentação solo do bandolinista Hamilton de Holanda para um programa de rádio dedicado à música instrumental.

Entrevistado pelo saxofonista Leo Gandelman, outro grande músico, famoso e atuante na terra artisticamente fértil de Araribóia, Hamilton falou desde a influência musical oriunda de sua família pernambucana até sua recente turnê européia, que rendeu um disco ao vivo gravado em diversos países do velho continente, com músicas de sua autoria e clássicos como ‘Canto de Ossanha’ (de Baden Powell e Vinícius de Morais).

No show, dividido entre entrevista e apresentação de temas autorais e clássicos de Pixinguinha a Baden Powell adaptados ao bandolim de Hamilton, o público, presente em um bom número, parecia estar em transe com cada nota que o músico extraía de seu instrumento, sendo premiado com um intenso e sintonizado dueto entre Hamilton e Leo Gandelman na parte final da apresentação.

O programa é gravado no Teatro Municipal toda primeira quinta feira do mês e transmitido às terças feiras pela MPB FM.

domingo, 23 de maio de 2010

"Bestsellers" no supermercado

Um dia desses, fui surpreendido por uma estante de livros quando fazia compras em um supermercado. Os livros ou volumes, quase todos com selos de números de vendas ou, pelo menos, indicações de que seriam “bestsellers”, me levaram, em poucos minutos, a um sentimento de estranha admiração. Não que eu me preocupasse em ler livros comercialmente bem sucedidos, mas fiquei surpreso ao ver livros em geral com uma acessibilidade que há certo tempo seria surreal.

De um lado, passei os olhos desinteressados por livros de auto-ajuda. Com o tempo, percebi que, até certo ponto da estante, os livros de literatura e auto-ajuda pareciam estar misturados entre si, dando uma leve impressão de que, pelo menos ali, não havia distinção entre a função de ambos os gêneros.

Se, por um lado, esse tipo de acessibilidade pode incentivar a leitura além do ramo ainda restrito das grandes livrarias, também pode limitar as opções de compra de títulos a partir da ‘comercialidade’ dos mesmos, deturpando, muitas vezes, o que representa a qualidade de uma obra literária.

Porém, inegavelmente, pode ser um passo, ainda que curto, para levar a literatura a pessoas que nunca tiveram o hábito ou a oportunidade de ler um livro, ou, pelo menos, chamar a atenção para a importância que o universo dos livros tem.

quinta-feira, 20 de maio de 2010

Rock'n'Roll: uma história de peso!

Desde que o cantor e guitarrista Chuck Berry, entre outros, modernizou e acelerou o blues, consolidando o que viria a ser o Rock’n’roll de raiz, o Rock já nascia rodeado por polêmicas. O gênero musical talvez seja, ao mesmo tempo, o mais vanguardista e contestador e um dos que se mantêm com alguns dos mais fiéis seguidores do mundo da música.

Para quem acha que o bom e velho Rock’n’Roll é sempre igual, basta escutar discos entre os diversos e múltiplos movimentos musicais que o englobam. Os próprios garotos de Liverpool (Beatles) foram uma metamorfose ambulante durante sua carreira, começando como uma banda mais comercial para a época e sendo considerada posteriormente uma banda quase psicodélica, com clássicos absolutos como ‘Lucy in the Sky with Diamonds’ e ‘Come Together’, só para citar alguns.

Enquanto isso, os Rolling Stones e The Who sempre foram eternos rebeldes do Rock inglês, se contrapondo à temática inicial das canções dos Beatles, como em músicas mais influenciadas pelo Blues genuíno e uma veia mais abrangente em termos musicais. Com o tempo, de forma mais reflexiva e implícita, os Beatles passaram também a exercer papel fundamental para a visão crítica e rebelde da juventude da época, até mesmo pelo sucesso inegável que a banda já havia alcançado.

Do Rock Progressivo, que teve seu auge do final da década de 60 ao início dos anos 70, podemos destacar entre as bandas que se eternizaram como ícones do estilo que impôs experimentalismo e riqueza harmônica extrema ao Rock, expoentes de peso como Pink Floyd, Jethro Tull, Camel, Focus, Yes, Premiata Forneria Marconi, King Crinsom, entre muitos outros que tiveram seus altos e baixos.

Em meados dos anos 70, houve uma mudança radical no Rock, surgindo assim o Punk Rock, de Sex Pistols a The Clash e, posteriormente, seus derivados. O Punk Rock marcou época com um som anárquico e direto contra uma Inglaterra lembrada com certo saudosismo pelo Queen. No Punk Rock, diferentemente da abrangência sonora do Queen, surgiu o lema “faça você mesmo”.

A partir da mudança imposta pelo Punk Rock, vieram vertentes menos radicais e que passaram a mesclar sonoridades dentro do subgênero, como o Pós Punk, que deu origem ao Rock gótico em geral por sua veia simples, porém fortemente melancólica e introspectiva, a partir de nomes como Smiths, Siouxsie and The Banshees e Sisters of Mercy.

A partir dos anos 80, houve uma verdadeira revolução no Heavy Metal, oriundo do Hard Rock, e no Rock alternativo em geral, influenciado pelo Pós Punk e até pela música Folk americana. Após esse período, houve outros movimentos musicais que também foram importantes para a evolução do Rock atual, porém como evoluções de estilos anteriores, muitas vezes mesclados de forma a criar-se novos subgêneros.

Até os dias de hoje, o Rock’n’Roll fez e faz parte de inúmeras gerações e teve papel fundamental para a visão crítica de jovens de diversas épocas, do pacifismo rebelde de Woodstock ao peso impactante do Heavy Metal.

quarta-feira, 28 de abril de 2010

Heavy Metal: entre o peso, clichês e versatilidade

Há gêneros musicais que se reinventam dia após dia, permanecendo vivos devido à atualização dos mesmos, seja pela mistura com outros estilos ou pelas inovações sonoras. Mesmo quando mantém uma linha musical fiel às suas raízes, o Heavy Metal, contrariando o que muitos dos leigos poderiam pensar, se reinventa a cada época e permanece como um gênero musical eclético dentro da fórmula sonora das bandas clássicas do estilo.

De uma das bandas precursoras do estilo e com um som mais aproximado do Hard Rock/Stoner, o Black Sabbath, ao Death Metal Melódico sueco atual, muitos cenários musicais se formaram durante diversas décadas até que pudéssemos presenciar a gama de vertentes que formam o cenário mundial do Heavy Metal.

Inicialmente, cada vertente parecia isolada em cada região em que se originava, como o Black Metal norueguês e o Trash Metal norte americano de meados dos anos 80, assim como a New Wave of British Heavy Metal (“Nova Onda do Heavy Metal Britânico”), o cenário que revelou bandas consagradas como o Iron Maiden e o Saxon.

Com o passar do tempo e a popularização do estilo por todo o mundo, se originaram outras vertentes, que muitas vezes são, até hoje, evoluções e misturas de elementos mistos das anteriores.