domingo, 14 de março de 2010

O papel da poesia na reflexão do leitor

Infelizmente, nem todos gostam de poesia ou ao menos tem acesso às reflexões que esta pode proporcionar. Porém, nessa forma de expressão literária, as idéias têm um poder de reflexão tão profundo quanto de uma pintura, por exemplo.

No campo individual, a poesia tem um papel de autoreflexão, o que pode levar o leitor a um conhecimento interior raramente presente em outras formas de arte, sem que sejam necessárias outras formas de associação de idéias, pois as próprias palavras já são idéias transcritas, mesmo quando de forma subjetiva.

Poesia é a arte de transcrever emoções e sentimentos pelas palavras. A partir desta, também podemos repensar valores e ou pontos de vista sobre determinada situação, seja ela individual ou social.

A arte de criação com as palavras pode também educar o ser humano, a partir de uma reflexão interna e externa, ao repensar valores que envolvem si mesmo e o universo social do qual ele faz parte, gerando fatores sociais importantes para a inclusão cultural, como a consciência e o senso crítico.

terça-feira, 9 de março de 2010

Arte e transgressão

Do Blues, o lamento negro oriundo dos campos do Mississipi, ao Rock’n’Roll dançante e na época polêmico de Elvis Presley, toda forma de arte tem um lado transgressor, mesmo que de forma inconsciente. Mesmo nos textos mais introspectivos de alguns escritores, podemos notar idéias importantes em relação aos valores sociais de sua época, mesmo que surjam de forma aparentemente não intencional.

Em todas as formas possíveis de arte, podemos encontrar um ponto de reflexão que nos leve a repensar valores individuais e ou sociais. Pela história da pintura, por exemplo, podemos perceber, nos diversos movimentos que envolvem esse tipo de arte, as mudanças estéticas movendo-se de acordo com ideais distintos ao redor do mundo, do Impressionismo ao Expressionismo.

O mesmo pode ser visto na Literatura, na qual grandes pensadores inauguravam um jeito próprio de escrever e se desencadeavam como em uma árvore de influências pela identificação com algum ideal transposto pelas palavras, para defender ou reavaliar determinada idéia, fosse ela política ou humanisticamente individual.

A arte é a transgressão necessária a todo ser humano como expressão de liberdade, identificação ou qualquer sentimento. Ao quebrar um tabu, o artista impõe uma nova realidade, tanto no campo das idéias quanto em sua realidade social.

segunda-feira, 1 de março de 2010

A resistência da cultura negra no Brasil

Desde quando a capoeira foi trazida ao Brasil pelos escravos e mantida como forma de resistência cultural e social às atrocidades que sofreram pelos colonizadores, os negros passaram a exercer grande importância na cultura de nosso país e influenciaram grande parte da arte popular. Um grande exemplo é seu papel fundamental para a fundação do Samba que conhecemos, entre outras artes que originaram e ou influenciaram diversas outras manifestações culturais.

Com o tempo, o negro passou a desempenhar grande função nas lutas sociais através das artes, principalmente quando lutava por seus direitos, que por um longo período da história foram esquecidos pelo poder, e contra o racismo, por exemplo. Assim, ganhou destaque merecido através de sua inclusão que se deu pela garra e pela coragem.

O negro é a resistência de corpo e alma a um sistema injusto que se fez presente por toda a história, através do talento e do amor à sua cultura e suas raízes, que mantiveram acesas no país grandes expressões culturais que representam fielmente o interesse das classes excluídas socialmente.

Os negros deixaram sua marca na cultura do país, marcada por uma luta social constante e fidelidade às suas raízes, enriquecendo nossa arte com sua essência e sentimento. Por todo o mundo, deixam sua marca por onde passam, através de sua cultura, como exemplo do papel da valorização de suas raízes culturais, que se tornaram referência da importância da arte popular feita realmente pelo povo.

quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010

As manifestações culturais e seu papel na sociedade

O papel das manifestações culturais

Tanto no campo individual quanto no campo social, as manifestações culturais se originam e se mantêm pela identificação de valores ou simplesmente pela tradição, fatores predominantes como hábitos culturais. Porém, há a arte popular desvalorizada e tratada por alguns como marginalizada, por servir de resistência cultural durante muito tempo a alguns grupos sociais excluídos.

A arte incomoda os poderosos, na medida em que exige vontades e direitos do povo, pois o artista faz parte deste e, muitas vezes, aponta novas idéias sociais que acabam sendo incompreendidas ou censuradas ao longo da história. No caso das manifestações culturais de uma forma geral, o povo que faz sua arte, mantendo a chama acesa de suas raízes, como forma de protesto ou simplesmente como auto-valorização e imposição de seus valores.

A apropriação abusiva nas manifestações culturais

Um problema constante é a comercialização desmedida em torno das manifestações culturais, que tem como consequência o desvirtuamento de sua intenção original. É impossível filtrar as mudanças que ocorrem na arte em geral, pois ocorrem aleatoriamente e de acordo com ideais diversos ou até mesmo adversos entre si, de forma regional ou universal. Porém, a questão parece estar longe de ideais concretos, mas perto da produção desses grandes eventos de forma mascarada e ao mesmo tempo atrativa como entretenimento.

Há uma enorme diferença entre abrir espaço para essas manifestações e vender midiaticamente esse meio de expressão popular como produto, direta ou indiretamente. Transformadas em produto, muitas vezes essas manifestações perdem sua força a medida que são comercializadas e acabam se estagnando ou sendo substituídas rapidamente por outro produto mais vendável. Um exemplo desse tipo de acontecimento é a confusão que muitas pessoas desinformadas fazem com a música caipira regional de raiz e a música sertaneja de hoje em dia.

terça-feira, 23 de fevereiro de 2010

Olho na telinha...

A cultura acompanha a voz do povo, que se reflete no sentimento expressado pela arte. Na televisão, principalmente nas “grandes emissoras”, o que vemos não é exatamente a voz desse povo, mas na maioria dos casos, valores impostos da elite para a massa, ou seja, uma cultura de entretenimento imbecilizante, oriunda da filosofia do escape e, de outro lado, da dominação, como uma droga social.

Na TV, um fator predominante nesse tipo de propagação de valores é uso de imagens marcantes e violentas, misturadas ora ou outra com um toque de um erotismo utópico, muitas vezes cruelmente sarcástico em sua associação. Podemos ver estes elementos em qualquer programa de auditório, em que pessoas correm e quase se machucam para pegar notas de dinheiro jogadas aleatoriamente por um apresentador de TV. Tudo tratado com muita hipocrisia e aceitação.

É antiga a tradição de uma TV padronizada para hipnotizar e explorar a curiosidade do povo, que é vendida em troca do escape e da relação “emburrecimento – apatia”, propagando valores de forma parcial, inconcreta e, muitas vezes, difundindo falsos valores e modas passageiras, que não representam fielmente a voz desse povo, apenas domado por uma casca bem produzida, mas que raramente gera algum benefício para a massa em geral.

domingo, 21 de fevereiro de 2010

A dualidade na expressão artística

Nossa cultura, da música à literatura, foi sempre marcada por ideais políticos conflitando com vertentes mais “românticas”, que aparentavam certa apatia quanto às necessidades de mudança no meio social. Se do Tropicalismo ao Mangue Beat, a música brasileira mantinha-se como importante ferramenta de protesto, por outro lado, havia sempre o romantismo característico da Bossa Nova. Há também casos como o da grande cantora Nara Leão, que participou tanto da Bossa Nova – movimento do qual foi musa - quanto do Tropicalismo.

No campo das palavras, a tendência era quase sempre descrever o cotidiano, muitas vezes em tom de denúncia social. Das idéias de João do Rio, Lima Barreto e Machado de Assis, por exemplo, saíram crônicas, contos e escritos em geral de cunho mais político. Enquanto isso, sempre houve também quem descrevesse e revelasse a alma do ser humano, de forma introspectiva, porém não menos importante como ferramenta de reflexão, o que muitas vezes também era feito por escritores que se dedicavam ao âmbito social.

Em alguns casos, essa escolha temática tem haver muito mais com a necessidade de expressão e a inspiração que vêm à mente do artista por sua reflexão e visão do mundo do que necessariamente uma visão política consciente.

É nesse ponto que a arte se torna abrangente e abre espaço para uma gama infinda de reflexões sobre o ser humano e o que o cerca, entre problemas para serem discutidos e prazeres. Porém, a arte sempre teve uma função social importante em qualquer sociedade, seja para manter valores intactos ou repensá-los, seja para reformas sociais.

Enfim, como disse certa vez Milton Nascimento, "o artista deve ir onde o povo está".

quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010

Cultura e memória: Entre tradições e revoluções!



Todo povo precisa da cultura como meio de tradição ou revolução. Preservar os bens culturais é papel fundamental de qualquer sociedade, seja como expressão de valores sociais, seja pela inovação ao criar, romper e recriar movimentos artísticos como expressões populares retratadas pelo sentimento transposto ou transcrito através das obras de arte, quando essas se espelham na realidade social ou em um questionamento derivado da mesma. Muitas vezes, servem, também, durante muito tempo, para manterem ideais intactos de resistência de determinado grupo excluído socialmente ou politicamente.

Da capoeira ao samba, a cultura brasileira apresenta diversos movimentos socioculturais ao decorrer de sua história. Alguns destes ganharam tanta expressão e força popular que viraram tradicionais, algo inevitável para um país com uma cultura tão rica, abrangente e miscigenada como o Brasil.

Embora alguns tentem – preconceituosamente, por radicalismo ou até mesmo pela falta de conhecimento – convencer o povo de que os movimentos revolucionários na arte são marginalizados, muitas vezes são estas manifestações culturais que dão real voz ao interesse popular de um povo historicamente usufruído e explorado, que tem no sangue a revolução que envolve suas artes, como uma voz silenciosa que grita em busca de justiça, resistência e liberdade.