terça-feira, 19 de abril de 2011

"Ideologia... Eu quero uma pra viver!"

O termo “wannabe”, que tem origem na expressão ‘want to be’ (querer ser, em inglês), é relacionado a pessoas que se identificam com alguma tribo urbana, movimento ideológico ou expressão cultural, mas que assumem que não fazem parte do contexto desejado.

Os motivos que levam algumas pessoas a se encaixarem neste perfil são diversos, variando de acordo com os interesses e a personalidade de cada um. Há desde quem expressa exageradamente o desejo de ter vivido em determinada época a casos como de quem age a partir de uma caracterização, geralmente relacionada a algum personagem inserido em um contexto ficcional, como em histórias cinematográficas ou literárias, por exemplo.

Se por um lado, a cada dia surgem inúmeras tribos urbanas que espelham diferentes tipos de identificação cultural ou social entre seus adeptos, há um visível isolamento em parte da juventude atual, refletindo uma intensa busca pela individualidade como característica de nossa sociedade.

Na era da virtualidade, a juventude parece estar marcada pela apatia globalizada, carência de esclarecimento e predominância de uma visão superficial sobre áreas básicas do meio social que a envolve.

segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

A cibercultura e seus efeitos socioculturais

Na contemporaneidade, ampliamos a capacidade de contato através da ‘rede’, formando um cotidiano que torna, constantemente, pessoas e suas idéias virtualmente conectadas por interesses e identificações que tendem a “aproximá-las”.

Ao adaptar uma relação social ao ciberespaço, os usuários de internet têm a possibilidade de trocar conhecimentos diversos de forma eficiente, assim como hábitos culturais, características presentes desde muito tempo em nossa sociedade globalizada, em que a cultura é constantemente massificada, distribuída de forma extensa e quase totalizada, apesar de inconstante ou aleatoriamente acessada.

Em uma cultura pela qual a propagação de hábitos culturais é definida por interesses virtuais, estamos acostumados à idéia de que a função da internet se resume em contatar pessoas e assuntos de acordo com nossos interesses de busca. Porém, um bom uso da rede pode nos levar onde nunca pensaríamos conseguir ter acesso há tempos atrás.

A cultura de massa, que é um reflexo irreversível de nossa sociedade globalizada e um fator sempre presente na web, é vista em forma de anúncios interativos na internet ou na digitalização de obras intelectuais e culturais, além da “clonagem” e propagação em um nível gigantesco das mesmas.

Muitos acusam a sociedade em que vivemos de ser uma sociedade tecnicista. Apesar de o tecnicismo ser um problema real de dependência tecnológica por parte do ser humano, muitos teóricos interpretam este conceito de outra forma, analisando o mesmo de forma positiva, embora não neguem que este conceito é real. Há estudiosos e entusiastas da cibercultura que defendem que os aparatos “tecnocomunicacionais” que se expandem com a evolução tecnológica são apenas ferramentas que auxiliam o ser humano em suas atividades sociais, culturais e até mesmo profissionais.

De fato, vivemos em uma era marcada por problemas sociais que envolvem a globalização e seus efeitos, mas a internet pode ser também ferramenta de inclusão sociocultural, já tendo sua acessibilidade como preocupação básica por todo o mundo.


A influência da cibercultura na cultura contemporânea

A linha é cada vez mais tênue entre a realidade, o virtual e a abstração no mundo atual. Entre os fatores que influenciam este tipo de comportamento hoje, estão os efeitos da tecnologia e a dependência da mesma por parte do ser humano, o já citado fenômeno do tecnicismo.

Comunicamo-nos constantemente como seres que até então estariam totalmente isolados, tanto pela distância física quanto por situações como a falta de contato e de conhecimento do indivíduo com o qual gostaríamos de nos comunicar pessoalmente.

Se, por um lado, nos tornamos mais “próximos” e quebramos barreiras sociais através da comunicação intermediada por tecnologias, por outro muitas vezes incorporamos a distância física a ponto de nos contentarmos com um “clique”, dependendo quase sempre das experiências que as ferramentas ou máquinas nos permitem serem utilizadas.

A Arte, por exemplo, enquanto forma de comunicação através do diálogo que exerce entre criador e espectador, sempre utilizou do simbolismo e da representação (fatores que caracterizam o conceito de “virtual”) para passar emoções e idéias subjetivas, gerando conceitos de acordo com a abstração de cada um e por parte do próprio artista. Este conceito é ainda mais explorado na arte contemporânea, assim como foi utilizado também nas pinturas impressionistas e surrealistas.

Porém, através da evolução das ferramentas artísticas e dos experimentalismos, o conceito de Arte tornou-se tão abrangente e, em alguns casos, tão inovador que, se não notamos a importância da Arte em nossas vidas com tanta intensidade, pelo menos implicitamente nos deparamos com a arte a qualquer instante, onde menos esperaríamos. Da arte urbana a anúncios de propaganda, entre outros exemplos que fazem parte do cotidiano, a Arte, mesmo que já massificada, pode ter seus efeitos presenciados pela humanidade a todo instante e em qualquer lugar.

segunda-feira, 22 de novembro de 2010

A linha tênue entre o popular e o erudito

Através das transformações que ocorrem constantemente na cultura em geral, a arte de origem popular passou a estar cada vez mais próxima àquela produzida nas instituições de renome, restrita durante muito tempo a públicos seletos.

Um dos mais importantes fatores, entre os que colaboram para a ambigüidade entre os conceitos citados, é a influência do cotidiano popular, quando este se torna utilizado para retratar a vida que cerca o artista e sua sociedade. Outro importante fator é a necessidade que a arte tem de ser reinventada e adaptada constantemente para que continue atrativa a um público em massa, passando por várias gerações, como acontece muito constantemente na música.

Nas artes plásticas e na literatura, por exemplo, houve diversas tentativas de inovações estéticas e ideológicas pela constante necessidade de expressão de alguns artistas, que quebraram tabus impostos pelas grandes “academias” e escolas de arte, ampliando o conceito de arte, mesmo que, às vezes, de forma polêmica ou subjetiva.

Outro exemplo ocorreu com a música erudita, há séculos atrás. Na medida em que alguns compositores renomados passavam a freqüentar e a se apresentar em espaços antes vistos como locais para uma população com baixo poder aquisitivo, a “grande” música – assim como a arte de forma geral - foi, passo a passo, sendo democratizada e ganhando um público mais amplo.

Cultura de qualidade a preço acessível no Teatro Municipal de Niterói

Atualmente, o Teatro Municipal de Niterói tem se firmado como uma boa opção para quem deseja assistir a bons espetáculos a preços acessíveis. Alguns dos eventos apresentados no palco do Teatro são sinônimos de qualidade, como a gravação do programa de rádio “Instrumental MPB Ao Vivo”, gravado na primeira semana de todo mês e transmitido pela MPB FM. Apresentado pelo saxofonista Leo Gandelman, um dos mais respeitados músicos da cidade, o programa recebeu, recentemente, entre shows e entrevistas, as apresentações do bandolinista Hamilton de Holanda e do baixista Arthur Maia, instrumentistas reconhecidos nacional e internacionalmente pelo seu talento.

Além da gravação do programa citado, há outros eventos acessíveis, inclusive em outras áreas da Arte em geral. Apresentações de dança, por exemplo, também sempre marcaram presença no Teatro Municipal. Os ingressos podem partir de R$ 1 - dependendo do horário e do dia - e as opções são das mais diversas possíveis.

Em alguns eventos realizados recentemente no local, como na apresentação de Ballet da Companhia de Ballet de Niterói em um espetáculo em tributo ao eterno músico e compositor Pixinguinha, há descontos que tornam ainda mais atrativos os espetáculos. Neste espetáculo de dança em especial, que custaria normalmente R$ 20, houve um desconto para R$ 5 a quem comprovasse ser morador de Niterói, apresentando comprovante de residência.

segunda-feira, 11 de outubro de 2010

Resenha: show do Rush na Praça da Apoteose (10/10)

Ontem, desta vez na Praça da Apoteose, o Rio de Janeiro foi palco de mais um espetáculo do Rush, que havia feito sua apresentação anterior no Maracanã em 2002, num show não menos grandioso, que rendeu o DVD ‘Rush in Rio’.

O local do show, marcado historicamente pelo samba, abrigou um dos maiores espetáculos do Rock Progressivo na cidade maravilhosa.

Diferentemente do show anteriormente realizado no Rio - em que houve uma maior divulgação do bom álbum ‘Vapor Trails’ dos canadenses -, o foco foi uma retrospectiva na carreira da banda, com direito ao clássico ‘Moving Pictures’ tocado na íntegra.

Desta forma, clássicos como ‘Tom Sawyer’, ‘YYZ’ e ‘Red Barcheta’ não faltaram na apresentação, além de outras canções não menos excepcionais como a bela e empolgante balada ‘Closer to The Heart’, além de pérolas como ‘Marathon’, ‘Freewill’, ‘La Via Strangiatto’, a épica ‘2112 Overture/ Temples of Syrinx’, entre outras.

Vale destacar também as duas ótimas músicas inéditas tocadas no show, ‘Caravan’ e ‘BU2B’, previstas para integrar o próximo lançamento em CD do Rush.

Com abertura e fechamento expostos em interessantes vídeos, a apresentação foi marcada como um espetáculo interativo com o público, com direito aos estonteantes e musicais solos de Neil Peart e Alex Lifeson, além de seus belos improvisos juntamente com Geddy Lee, mais conhecido como “God” Lee, título que, após o show, tornou-se ainda mais significativo.

sábado, 9 de outubro de 2010

Talento do bandolim no Teatro municipal de Niterói (resenha)

Quinta feira passada foi um dia especial, em que o Teatro Municipal de Niterói foi palco de uma emocionante apresentação solo do bandolinista Hamilton de Holanda para um programa de rádio dedicado à música instrumental.

Entrevistado pelo saxofonista Leo Gandelman, outro grande músico, famoso e atuante na terra artisticamente fértil de Araribóia, Hamilton falou desde a influência musical oriunda de sua família pernambucana até sua recente turnê européia, que rendeu um disco ao vivo gravado em diversos países do velho continente, com músicas de sua autoria e clássicos como ‘Canto de Ossanha’ (de Baden Powell e Vinícius de Morais).

No show, dividido entre entrevista e apresentação de temas autorais e clássicos de Pixinguinha a Baden Powell adaptados ao bandolim de Hamilton, o público, presente em um bom número, parecia estar em transe com cada nota que o músico extraía de seu instrumento, sendo premiado com um intenso e sintonizado dueto entre Hamilton e Leo Gandelman na parte final da apresentação.

O programa é gravado no Teatro Municipal toda primeira quinta feira do mês e transmitido às terças feiras pela MPB FM.

domingo, 23 de maio de 2010

"Bestsellers" no supermercado

Um dia desses, fui surpreendido por uma estante de livros quando fazia compras em um supermercado. Os livros ou volumes, quase todos com selos de números de vendas ou, pelo menos, indicações de que seriam “bestsellers”, me levaram, em poucos minutos, a um sentimento de estranha admiração. Não que eu me preocupasse em ler livros comercialmente bem sucedidos, mas fiquei surpreso ao ver livros em geral com uma acessibilidade que há certo tempo seria surreal.

De um lado, passei os olhos desinteressados por livros de auto-ajuda. Com o tempo, percebi que, até certo ponto da estante, os livros de literatura e auto-ajuda pareciam estar misturados entre si, dando uma leve impressão de que, pelo menos ali, não havia distinção entre a função de ambos os gêneros.

Se, por um lado, esse tipo de acessibilidade pode incentivar a leitura além do ramo ainda restrito das grandes livrarias, também pode limitar as opções de compra de títulos a partir da ‘comercialidade’ dos mesmos, deturpando, muitas vezes, o que representa a qualidade de uma obra literária.

Porém, inegavelmente, pode ser um passo, ainda que curto, para levar a literatura a pessoas que nunca tiveram o hábito ou a oportunidade de ler um livro, ou, pelo menos, chamar a atenção para a importância que o universo dos livros tem.