sexta-feira, 27 de abril de 2012

"Não deixe o Samba morrer, não deixe o Samba acabar"


É inegável que o Samba pode ser feito de várias formas, sem que seja descaracterizado em sua concepção original. Antigas vertentes do gênero, como o Samba-canção e o Partido Alto, - citando apenas alguns dos diversos exemplos existentes - apresentam até hoje um caráter popular capaz de contagiar facilmente o povo, seja por identificação pessoal ou social, através de letras que falam de forma direta, com a irreverência típica de Adoniran Barbosa e Dicró, a elegante malandragem de Noel Rosa ou o sentimento profundo de Cartola.

O Samba, com o tempo, foi se tornando esquecido pela mídia e pelo público, enquanto fervia o surgimento de grupos de um tipo de Pagode direcionado de forma demasiada para o lado romântico, com uma linha nitidamente comercial, aparentando certa ausência de preocupação com a identificação social que já lhe foi característica. Alguns dos mais renomados representantes do Samba, quando vivos, já são vistos como lendas, porém sem o devido reconhecimento.

Podem ser feitas comparações a respeito da relação do Samba antigo com parte do Pagode atual similares à relação estabelecida entre a música caipira e o sertanejo romântico. Vale ressaltar que o Pagode, enquanto vertente do Samba, já foi caracterizado por ser tocado por diversão em fundos de quintal, entre outros meios, antes de seu "boom" comercial.

Reconheço que pode ser difícil escolher, dentro da abrangência do gênero, uma forma específica de se fazer e ou ouvir Samba, mas não se assuste se você ouvir um jovem fã de Pagode dizendo que determinada música feita por um compositor antigo é coisa de velho. Infelizmente, os tempos mudaram, assim como o grau de interesse das recentes gerações.

Apesar de tudo, para a alegria de nossa música, o Samba não está morto! Ainda há nomes consagrados e artistas talentosos que conseguem renovar o estilo musical com competência, talvez precisando apenas de mais holofotes para que tenham seus trabalhos devidamente conhecidos.

sexta-feira, 16 de março de 2012

Exposição sobre Tarsila do Amaral no CCBB


Na exposição que pode ser conferida no CCBB (Centro Cultural Banco do Brasil) sobre Tarsila do Amaral, são expostas diversas obras marcantes de várias de suas fases, de famosos retratos sobre pessoas com as quais conviveu – incluindo o de Oswald de Andrade - a fases mais geométricas, minimalistas, com grande valorização do volume de cores e formas robustas (característica que se tornou marcante nas obras mais famosas da pintora) e até mesmo de figuras quase abstratas. 

Há espaço também para a mostra de objetos pessoais da pintora como cartas, rascunhos e desenhos, entre outros, o que visivelmente proporciona a impressão de transmitir ao visitante parte da personalidade e da história de Tarsila.

Uma rara e enriquecedora experiência pelas linhas traçadas por um eterno ícone das artes plásticas de nosso país, através de uma exposição que demonstra uma tentativa de explicar as ideias da pintora por trás de suas obras, algumas desconhecidas do grande público.

segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012

A inventividade do Jazz


Considerado por muitos uma evolução urbana do Blues, o Jazz causou, em períodos diversos, revoluções estéticas (musicalmente) através da ampliação da capacidade de improvisação, da variedade de compassos - até então incomuns – e da posterior absorção de outros estilos.

Apesar de sempre ter quebrado barreiras sonoras, o Jazz foi aos poucos deixando de lado sua fórmula tradicional ao absorver elementos de Salsa, Rock e até mesmo ritmos indianos, entre outros, em casos diferentes. Com isso, o percurso do gênero ganhou força em termos de renovação e capacidade de improvisação, o que inclui execuções nos mais variados compassos e maior abrangência rítmica.

Talvez os fãs mais puristas do gênero achem que certas inovações desvirtuem o mesmo. É inegável que o Jazz sofreu fortes revoluções durante décadas – da era das Big Bands ao Fusion (fusão entre o Jazz e o Rock), porém mesmo o consagrado Miles Davis, trompetista e talvez o ícone mor do gênero, passou por diversas fases a ponto de proporcionar a impressão de que o músico havia pensado, em determinado momento de sua carreira, que o Jazz deveria ser popularizado e reinventado, como no célebre e divisor de águas ‘Bitches Brew’, disco que apresenta diversas influências, rompendo barreiras de forma nítida para o estilo musical.

Os “standards” nunca cairão no esquecimento dos leais fãs de Jazz, mas para que um estilo musical sobreviva e continue ativo, muitas vezes é preciso inserir novos conceitos sobre o mesmo, como acontece constantemente com o Rock’n’Roll.

terça-feira, 17 de janeiro de 2012

Edição de janeiro do Cine Jazz, no MAC

O Cine Jazz é um evento realizado no auditório do MAC (Museu de Arte Contemporânea), composto por apresentações em vídeo de artistas renomados do gênero, seguidas de debate e apresentação com músicos convidados.

A próxima edição do evento acontecerá no dia 28 deste mês, sábado, às 16h. A entrada é franca e serão distribuídas 60 (sessenta) senhas 30 min antes da exibição do filme.

No filme que será exibido no evento, um concerto gravado na íntegra em 1978 na Califórnia, a cantora canadense Joni Mitchell é acompanhada por uma banda de estrelas do jazz como Pat Metheny (guitarra), Jaco Pastorius (baixo elétrico), Michael Brecker (sax), Lyle Mays (piano & keys) e Don Alias (bateria).

A artista convidada para a mesa de debate é a cantora Elisa Queirós, que fechará o programa fazendo breve apresentação interpretando o repertório de Joni Mitchell, acompanhada pelo guitarrista Billy Teixeira. 

A curadoria do projeto Cine Jazz no MAC é do produtor Paulo Renato Rocha.

Um bom programa tanto para quem quer conhecer melhor o gênero musical quanto para quem aprecia boa música em geral.

sexta-feira, 18 de novembro de 2011

Recomendado: Cine Jazz, em Niterói

Realizado geralmente no último sábado de cada mês no auditório do MAC, o 'Cine Jazz' é um evento em que são mostradas apresentações marcantes de grupos do gênero em audiovisual, seguidas de um debate sobre o show apresentado no dia com a participação de grandes músicos da música brasileira como convidados.

O evento, exclusivamente nesta edição, ocorrerá às 16 horas neste domingo, dia 20. O show apresentado será o da Mahavishnu Orchestra em Londres no ano de 1972. O grupo foi liderado pelo guitarrista John McLaughlin, que integrou a banda que gravou o disco 'Bitches Brew' de Miles Davis, álbum divisor de águas e considerado inovador na carreira do trompetista.

terça-feira, 18 de outubro de 2011

Em cartaz:

Já está em cartaz 'Acusa-me', peça realizada pela Cia dos Empíricos, da UCAM, em que o ato de questionar é refletido e debatido através do enredo, conduzido por seus atores com competência.

Na peça - baseada em Platão, Franz Kafka e Orson Welles -, o público é constantemente levado à reflexão (fator importante para que possamos rever nossos pontos de vista e atitudes) ao ser exposta a importância do questionamento em nossa sociedade atemporalmente. Recomendado!

quinta-feira, 7 de julho de 2011

A importância do aprofundamento em tempos de imediatismo

De forma geral, a tendência da comunicação atual é marcada por uma velocidade de informação contrária a qualquer tipo de aprofundamento em nosso mundo globalizado. Desta forma, o incessante imediatismo em relação às informações é conduzido, muitas vezes, pelo sensacionalismo em vez da veracidade e ou importância concreta dos fatos.

Por muitas vezes, nos deparamos com boatos – principalmente na web - que, ao serem revistos, acabam sendo desmentidos ou corrigidos de forma brusca depois de algum tempo. A credibilidade e, em alguns casos, a relevância da notícia são esquecidas a serviço do impacto de apreensão gerado no espectador, fazendo com que a polêmica seja mais atraente e vista que uma informação realmente importante para a sociedade.

Vivemos fechados ao que nos dizem, podendo ser desmentidos a qualquer momento quando surpreendidos a uma análise mais aprofundada sobre determinados assuntos.

Quando desconfiamos da credibilidade de alguma emissora ou de um jornal, por exemplo, percebemos que precisamos conferir outras versões sobre um mesmo fato noticiado anteriormente. Apesar da necessidade de averiguar os fatos, deixamos de assistir, ouvir ou ler a mídia em geral e, assim, podemos nos precipitar sobre nossas conclusões ao depararmos, sem aprofundamento, com boatos e informações com teor mais opinativo antes de saber o que está acontecendo de forma concreta.