terça-feira, 14 de outubro de 2008

A massificação na arte - 2ª parte

A arte em geral - que é reflexo e concretização (em forma sólida e idealizada) dos valores culturais, sociais e ideológicos de uma sociedade -, pode ser massificada de duas formas: democraticamente ou imposta pelos meios de comunicação em massa.

De fato, a massificação é necessária como forma de inclusão do povo à arte, ou da arte ao povo. Porém, o problema é a forma em que é massificada e não o fato de sê-la.

A interpretação causada sobre a arte quando adquirida (recebida) pelo povo (espectador) se torna inacessível ou limitada para um grande número de pessoas, que são excluídas da cultura e da educação, fatores fundamentais para compreendê-la, apreciá-la e vivê-la.

Além de restrita muitas vezes como sendo arte o que a mídia impõe, essa interpretação por parte do povo se torna tendenciosa e auto-exclusora pelos valores impostos pela elite. Ficamos sempre com a impressão de que o que vem de fora é sempre mais valorizado ou que devemos apreciar apenas filmes "hollywoodianos".

O Brasil é um país reconhecido internacionalmente por uma cultura popular rica e abrangente. O valor cultural do povo brasileiro é maior do que o próprio povo reconhece. Falta educação e inclusão social e cultural para perceber e valorizar tal qualidade.

quinta-feira, 2 de outubro de 2008

A massificação na arte - 1ª parte

Desde muito tempo, parte da arte em geral tem sido constantemente utilizada para fins além da memória do povo. Mesmo após a implantação da lei que proíbe o jabá, modismos passageiros sem profundidade lírica ainda ditam as paradas de sucesso nas rádios. As novelas ainda tomam conta do horário nobre das emissoras da TV. Muitas instalações expostas em museus se tornam inacessíveis, em todos os sentidos.

Como mudar essa situação? Boicotando as grandes gravadoras? Fazendo campanhas como um abaixo assinado para mudar a programação da TV aberta? Só assistir filmes nacionais de vanguarda e europeus? Cada um pode fazer a sua parte. Porém a questão é mais complexa...

O acesso à educação, a livros e a cultura ainda é restrito. A educação também sofre com uma crise que envolve não só a própria educação, mas também a falta de investimentos. É possível encontrar, no Brasil, analfabetos que estão há um bom tempo na escola.

Os grandes meios de Comunicação acabam, muitas vezes, se aproveitando da situação e manipulam “implicitamente” o povo, ditando o que é bom e ruim em termos de valores sociais, culturais e ideológicos.

Aprendi em Arte e Estética, uma matéria interessante da faculdade, a importância do valor cultural de um povo. A partir desse conceito, acredito que, mesmo em meio às manipulações, a arte ainda pode fazer revoluções e transformar a sociedade.

quarta-feira, 1 de outubro de 2008

Resenha: Metallica - 'Death Magnetic' (2008)


Muitos já acreditam que este novo álbum seja a volta definitiva do Metallica às suas raízes. Fatores como a inclusão de uma faixa intitulada “The Unforgiven III” realmente mostram a banda tentando resgatar as glórias metálicas de seu passado, mas ainda com toques modernos e um som diferenciado em algumas faixas.

Para a alegria dos fãs mais ortodoxos, músicas mais longas voltam a fazer parte do repertório de um dos ícones do Trash Metal. Porém, a impressão deixada ao decorrer da audição do álbum é de que a banda ainda está caminhando para uma verdadeira volta ao som de seus primórdios, mas isso pode ser considerado uma esperança para tantos fãs desapontados com as mudanças drásticas na sonoridade da banda em seus últimos lançamentos.

O álbum pode ser dividido entre verdadeiras pancadas em forma de som que realmente lembram o antigo Metallica, como a ótima “The Day That Never Comes”, e baladas mais lentas com um toque de rock alternativo que transmitem certa viagem sonora, cantadas de forma mais “limpa” por James Hetfield, como “The Judas Kiss”.

Marcado por um som mais próximo dos tempos áureos do Metallica em grande parte das faixas, ‘Death Magnetic’ demonstra duas faces da banda. A primeira face mostra a vontade de voltar ao passado de forma digna ao mesmo tempo em que a segunda mostra uma preocupação em não fazer um álbum integralmente nostálgico.

Enfim, o Metallica consegue resgatar uma qualidade próxima de seus álbuns clássicos inserindo inovações em seu som, o que parecia uma tentativa constante. Ao ouvir este lançamento, qualquer um que conheça a banda pode perceber que finalmente conseguiram!