segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012

A inventividade do Jazz


Considerado por muitos uma evolução urbana do Blues, o Jazz causou, em períodos diversos, revoluções estéticas (musicalmente) através da ampliação da capacidade de improvisação, da variedade de compassos - até então incomuns – e da posterior absorção de outros estilos.

Apesar de sempre ter quebrado barreiras sonoras, o Jazz foi aos poucos deixando de lado sua fórmula tradicional ao absorver elementos de Salsa, Rock e até mesmo ritmos indianos, entre outros, em casos diferentes. Com isso, o percurso do gênero ganhou força em termos de renovação e capacidade de improvisação, o que inclui execuções nos mais variados compassos e maior abrangência rítmica.

Talvez os fãs mais puristas do gênero achem que certas inovações desvirtuem o mesmo. É inegável que o Jazz sofreu fortes revoluções durante décadas – da era das Big Bands ao Fusion (fusão entre o Jazz e o Rock), porém mesmo o consagrado Miles Davis, trompetista e talvez o ícone mor do gênero, passou por diversas fases a ponto de proporcionar a impressão de que o músico havia pensado, em determinado momento de sua carreira, que o Jazz deveria ser popularizado e reinventado, como no célebre e divisor de águas ‘Bitches Brew’, disco que apresenta diversas influências, rompendo barreiras de forma nítida para o estilo musical.

Os “standards” nunca cairão no esquecimento dos leais fãs de Jazz, mas para que um estilo musical sobreviva e continue ativo, muitas vezes é preciso inserir novos conceitos sobre o mesmo, como acontece constantemente com o Rock’n’Roll.

sexta-feira, 3 de fevereiro de 2012

Derek and The Dominos - 'Layla and Other Assorted Love Songs'

Após ter integrado o Bluesbreakers do multi-instrumentista e revelador de talentos John Mayall e posteriormente o supergrupo Cream, um dos maiores da história do Rock’n’Roll, entre outros, Eric Clapton teve com o projeto Derek and The Dominos um único álbum de estúdio, intitulado ‘Layla and Other Assorted Love Songs’ (1970), o suficiente para entrar para a história do Rock através de canções que transitam entre baladas “bluesy” e o vigor do Rock.

Um álbum desesperadamente romântico na carreira de Clapton, porém nunca soando “piegas”. Pelo contrário, o álbum explora a sonoridade já citada com muita competência, apesar de todo o tormento do guitarrista por sua paixão platônica por uma musa “distante”, tema que ronda grande parte do álbum.

A presença de músicos do nível do guitarrista Duane Allman, do Allman Brothers, enriquece ainda mais o álbum, que apresenta, em suas faixas, passagens de guitarra admiráveis para os mais exigentes “bluesmen”.

Um álbum feito de forma apaixonada e com rara qualidade de composição e execução, em que o então futuro “slowhand” demonstra muito de seu potencial como guitarrista, compositor e vocalista, cercado de músicos competentes e que demonstram perfeita sintonia por todo o álbum, ofuscado como um todo pelo enorme sucesso da faixa “Layla”.