quarta-feira, 28 de abril de 2010

Heavy Metal: entre o peso, clichês e versatilidade

Há gêneros musicais que se reinventam dia após dia, permanecendo vivos devido à atualização dos mesmos, seja pela mistura com outros estilos ou pelas inovações sonoras. Mesmo quando mantém uma linha musical fiel às suas raízes, o Heavy Metal, contrariando o que muitos dos leigos poderiam pensar, se reinventa a cada época e permanece como um gênero musical eclético dentro da fórmula sonora das bandas clássicas do estilo.

De uma das bandas precursoras do estilo e com um som mais aproximado do Hard Rock/Stoner, o Black Sabbath, ao Death Metal Melódico sueco atual, muitos cenários musicais se formaram durante diversas décadas até que pudéssemos presenciar a gama de vertentes que formam o cenário mundial do Heavy Metal.

Inicialmente, cada vertente parecia isolada em cada região em que se originava, como o Black Metal norueguês e o Trash Metal norte americano de meados dos anos 80, assim como a New Wave of British Heavy Metal (“Nova Onda do Heavy Metal Britânico”), o cenário que revelou bandas consagradas como o Iron Maiden e o Saxon.

Com o passar do tempo e a popularização do estilo por todo o mundo, se originaram outras vertentes, que muitas vezes são, até hoje, evoluções e misturas de elementos mistos das anteriores.

segunda-feira, 26 de abril de 2010

Quando o protesto virou modismo...

O Rock’n’Roll foi, durante muito tempo, marcado como um gênero musical de protesto, gerando verdadeiras revoluções, principalmente na juventude e em diversas gerações por todo o mundo. Desde os tempos de Woodstock, o Rock era visto como uma importante manifestação cultural e ideológica a partir da música, mesmo que houvesse mudanças de comportamento e de ideais dentro do próprio estilo, paralelamente às vertentes que borbulhavam a partir do mesmo.

Porém, com o tempo, o sentimento de protesto foi dando lugar a modismos passageiros e, atualmente, parte do Rock ficou com uma cara mais Pop do que nunca. Os punks (que eram sempre tachados como radicais) já foram substituídos por emos, por exemplo, cedendo à preferência do mercado e da mídia, atingindo um público desprovido de qualquer interesse social.

Fato semelhante foi o que ocorreu com o Rap, que hoje em dia perdeu espaço para um gênero supostamente chamado de Hip Hop, que inicialmente era o termo usado para definir o movimento no qual o Rap era incluído e acabou virando o nome de uma adaptação mais pop do Rap. A maioria das letras do Hip Hop contrariam a proposta original do Rap, que, a princípio, era a conscientização.

terça-feira, 13 de abril de 2010

Incentivo à leitura versus Obrigação

Desde muito tempo, alguns professores de Literatura tentam impor a leitura de determinados livros como obrigação a seus alunos, excluindo totalmente a liberdade de escolha sobre os títulos a serem lidos, assim prejudicando a relação mais íntima com os livros por parte do aluno, pois o que poderia se tornar prazer passa a ser uma obrigação desprovida de interesse. A tentativa de guiar alunos por uma lista composta por títulos de livros considerados consagrados pode ser bem intencionada, mas é falha.

Atividades envolvendo a Literatura de forma mais dinâmica e com liberdade de escolha e pensamento são fundamentais para que o aluno não veja a Literatura como um bicho de sete cabeças ou um castigo, mas que, pelo contrário, enxergue a leitura como prazer e uma importante absorção de conhecimento cultural, histórico e social, com idéias que possam ser refletidas na formação do aluno como ser humano e cidadão.

É preciso estimular a leitura sim. Porém, são necessários meios alternativos para diversificar a visão sobre a Literatura, estimulando os alunos através de questionamentos internos e externos sobre a realidade de um romance ou um conto, por exemplo, e a realidade social do aluno, comparando e interligando os contextos, demonstrando a importância real que a Literatura pode exercer sobre toda a humanidade.

quinta-feira, 1 de abril de 2010

Do Samba ao Jazz: a influência da realidade social na música negra

Se comparado ao Jazz, o Blues é um gênero musical menos técnico e marcado pelo sentimento. Um fator importante que revela a realidade social no ambiente que se gerou o Blues enquanto estilo musical foi o fato de seus precursores serem, em sua maioria, autodidatas. Um ambiente mais rural e sofrido marcou a solidão transposta nas emotivas notas que marcaram o estilo.

O Jazz, de caráter mais urbano e gerado nas grandes cidades norte-americanas, foi crucial para a inclusão social de músicos negros na elite musical, sendo considerado por muitos um estilo mais diversificado e erudito dentro da música negra em geral. Neste gênero, foram inseridas outras formas de tocar de acordo com a influência de diversos músicos – entre eles o trompetista Miles Davis e o guitarrista Wes Montgomery (que era autodidata) - que aderiram ou contribuíram para a fundação do estilo, que é marcado pela complexidade e sofisticação, entre mudanças de compasso e altas doses de improvisação.

No Brasil, um exemplo de música negra que teve sua relação exposta com o meio social foi o Samba, que gerou subgêneros e posteriormente diversas outras vertentes, como a Bossa Nova, fusão do Samba com o Jazz. A Bossa Nova popularizou o Samba ao redor do mundo, ao relacionar a harmonia do Jazz com o suingue do Samba. Porém, antes do surgimento da Bossa Nova, o Samba tinha uma veia fortemente popular dentro do país, chegando a causar polêmica por sua veia crítica em defesa da população mais carente do subúrbio carioca, principalmente. Seus cantores e músicos eram considerados polêmicos por expor, de forma poética ou até mesmo escrachada, os problemas sociais do povo.