sábado, 27 de março de 2010

Renato Russo: 50 anos de um ícone do Rock nacional

Hoje, comemoram-se os 50 anos de nascimento de um dos vocalistas fundamentais dentro do cenário do Rock de Brasília. Renato Russo deixou sua marca registrada na história do Rock nacional, com sua voz inconfundível e cheia de emoção, que flertava entre a suavidade melódica e a intensidade sonora e é lembrado com respeito até hoje por diversos fãs brasileiros, roqueiros de fato ou apenas apreciadores do seu trabalho.

Desde o começo de sua carreira, Renato Russo era visto, até mesmo por colegas, como um ser conflitante entre a influência punk que tinha e seu lado poético, criando, desde sua entrada no extinto grupo Aborto Elétrico, uma identidade própria de interpretação e composição.

Um fato inusitado foi o estranhamento com as diferenças da cena do Punk Rock de Brasília e de São Paulo. Segundo Clemente, vocalista do grupo punk Inocentes, Renato Russo não se sentiu à vontade com o ambiente de São Paulo nos primeiros shows da Legião Urbana, em 1982, demonstrando as diferenças entre as propostas e visões dos músicos das duas regiões. Renato chegou a afirmar em entrevista à revista Bizz, em 1989, que o ambiente punk em São Paulo dava medo.

Porém, foi posteriormente, com uma Legião Urbana mais versátil, que Renato Russo contribuiu para que o Rock nacional nunca mais fosse o mesmo, ganhando espaço midiático. O destaque das músicas da banda sempre foi marcado pela voz grave e melodiosa de seu vocalista, desde a época mais punk à fase mais ‘mainstream’ do conjunto, com instrumental já mais diferenciado.

A banda passou a explorar então tanto as baladas tranqüilas e melancólicas quanto canções influenciadas pelo subgênero Pós-punk, com letras que retratavam de forma crítica a sociedade e as relações humanas, geralmente citando conflitos e preconceitos, mas reduzindo o tom de protesto.

O cantor não tinha medo de expressar suas idéias nem sua visão crítica sobre o mundo, tanto nas letras das canções que cantava quanto em entrevistas, o que era sempre tratado de forma polêmica. Porém, talvez seu maior conflito tenha sido o fato de ser uma pessoa diferente e com personalidade forte em uma época de radicalismos e “panelinhas” em seu cenário musical.

terça-feira, 23 de março de 2010

Cultura como inclusão social

Há projetos, em comunidades e áreas carentes em geral, que oferecem como alternativa de inclusão social o aprendizado e envolvimento com a cultura, com foco profissionalizante ou pelo menos como uma alternativa de educação social.

Algumas das entidades que se dedicam a essa nobre proposta raramente recebem incentivos externos. Porém, mesmo com dificuldade, conseguem, geralmente, cumprir seu papel.

Geralmente, desses projetos sociais que envolvem a cultura, costumam ser revelados grandes talentos, mistos de dedicação e aptidão, principalmente no campo musical.

Um exemplo é o da precoce e virtuose pianista que apareceu no Fantástico, que teve uma rara oportunidade de mostrar ao Brasil seu talento ao lado de um conceituado pianista.

Porém, alguns desses artistas não têm a mesma sorte pela falta de investimentos e de interesse da nossa sociedade, que muitas vezes trata esse tipo de caso como uma exceção anômala ao invés de enxergar a cultura como exemplo de inclusão social.

A inclusão “sociocultural” ocorre desde o acesso à leitura, consequentemente formando reflexões, autoconhecimento e conhecimento social, em projetos em bibliotecas, como no projeto Roça de Livros, localizado na Biblioteca do Dezessete do município de Santa Maria Madalena, RJ, como em outras expressões artísticas que outros projetos enfocam.

domingo, 21 de março de 2010

Arte das ruas!...

Muitos com certeza já se impressionaram com o talento de artistas de rua, talentosos mesmo em seu anonimato. Porém, nem só de alegrias é formado o palco que se torna a rua, os semáforos, entre outros espaços urbanos nos quais se tem a oportunidade de parar para ver um pouco de arte gratuita, mesmo quando essa implora atenção ou esmolas.

Por trás de um artista que transforma a faixa de pedestres num palco circense, sem ser convidado, há um improviso desesperado que reflete a falta de espaço e incentivo à classe artística em geral. De fato, por trás desse quadro, sempre me emociono com a arte das ruas e talvez seja esta a alma do negócio para esses injustiçados artistas.

Originalidade e apelo emocional são pratos cheios para chamar atenção do público em qualquer expressão artística! Porém, talvez por não terem um grande apoio midiático, entre outras formas de incentivo, artistas com capacidade de improvisação rara em escolas de pintura se perdem no esquecimento, como, por exemplo, um pintor que me impressionou fazendo paisagens em chapas com tinta spray, com a sutileza típica dos traços de aquarela.

terça-feira, 16 de março de 2010

Artistas e "artistas"

Ser artista é muito mais que aparecer na capa de uma revista de fofoca. É viver um mundo de criatividade e reflexão, transpondo os sentimentos oriundos das mesmas para a arte, concretizando-os em suas obras.

Porém, nossa sociedade ainda consegue ter a ignorante audácia de confundir artistas com famosos de forma generalizada. Nem todo artista é famoso e nem todo famoso é artista.

Uma prova viva deste tipo de confusão foi o que ocorreu quando eu estava passando pela rua e, de repente, o som de um violino docemente autoditada e melódico tocou meus ouvidos. Parei para observar as notas tocadas pelo violinista desconhecido, porém exímio. Aquelas notas suaves do instrumento que contrastavam com o caos urbano daquela rua comercial e movimentada me emocionaram. Porém, havia quem demonstrava indiferença ao prodígio artista, que, bravamente, não hesitava em propagar sua arte.

Na terra em que os “Big Babacas e Bundões” são considerados heróis por concorrerem de forma animalesca por uma grande quantia, entre festas e intrigas supérfluas, e passam a ser considerados artistas por terem contrato com grandes emissoras, a verdadeira classe artística sofre com a falta de reconhecimento do talento de grandes artistas e com o estereótipo demasiadamente falso de que quem é famoso que é artista.

O artista é aquele que vive pela arte, não importando o reconhecimento e fama como grau de talento, mas sim a profundidade das suas obras e como elas podem emocionar as pessoas.

domingo, 14 de março de 2010

O papel da poesia na reflexão do leitor

Infelizmente, nem todos gostam de poesia ou ao menos tem acesso às reflexões que esta pode proporcionar. Porém, nessa forma de expressão literária, as idéias têm um poder de reflexão tão profundo quanto de uma pintura, por exemplo.

No campo individual, a poesia tem um papel de autoreflexão, o que pode levar o leitor a um conhecimento interior raramente presente em outras formas de arte, sem que sejam necessárias outras formas de associação de idéias, pois as próprias palavras já são idéias transcritas, mesmo quando de forma subjetiva.

Poesia é a arte de transcrever emoções e sentimentos pelas palavras. A partir desta, também podemos repensar valores e ou pontos de vista sobre determinada situação, seja ela individual ou social.

A arte de criação com as palavras pode também educar o ser humano, a partir de uma reflexão interna e externa, ao repensar valores que envolvem si mesmo e o universo social do qual ele faz parte, gerando fatores sociais importantes para a inclusão cultural, como a consciência e o senso crítico.

terça-feira, 9 de março de 2010

Arte e transgressão

Do Blues, o lamento negro oriundo dos campos do Mississipi, ao Rock’n’Roll dançante e na época polêmico de Elvis Presley, toda forma de arte tem um lado transgressor, mesmo que de forma inconsciente. Mesmo nos textos mais introspectivos de alguns escritores, podemos notar idéias importantes em relação aos valores sociais de sua época, mesmo que surjam de forma aparentemente não intencional.

Em todas as formas possíveis de arte, podemos encontrar um ponto de reflexão que nos leve a repensar valores individuais e ou sociais. Pela história da pintura, por exemplo, podemos perceber, nos diversos movimentos que envolvem esse tipo de arte, as mudanças estéticas movendo-se de acordo com ideais distintos ao redor do mundo, do Impressionismo ao Expressionismo.

O mesmo pode ser visto na Literatura, na qual grandes pensadores inauguravam um jeito próprio de escrever e se desencadeavam como em uma árvore de influências pela identificação com algum ideal transposto pelas palavras, para defender ou reavaliar determinada idéia, fosse ela política ou humanisticamente individual.

A arte é a transgressão necessária a todo ser humano como expressão de liberdade, identificação ou qualquer sentimento. Ao quebrar um tabu, o artista impõe uma nova realidade, tanto no campo das idéias quanto em sua realidade social.

segunda-feira, 1 de março de 2010

A resistência da cultura negra no Brasil

Desde quando a capoeira foi trazida ao Brasil pelos escravos e mantida como forma de resistência cultural e social às atrocidades que sofreram pelos colonizadores, os negros passaram a exercer grande importância na cultura de nosso país e influenciaram grande parte da arte popular. Um grande exemplo é seu papel fundamental para a fundação do Samba que conhecemos, entre outras artes que originaram e ou influenciaram diversas outras manifestações culturais.

Com o tempo, o negro passou a desempenhar grande função nas lutas sociais através das artes, principalmente quando lutava por seus direitos, que por um longo período da história foram esquecidos pelo poder, e contra o racismo, por exemplo. Assim, ganhou destaque merecido através de sua inclusão que se deu pela garra e pela coragem.

O negro é a resistência de corpo e alma a um sistema injusto que se fez presente por toda a história, através do talento e do amor à sua cultura e suas raízes, que mantiveram acesas no país grandes expressões culturais que representam fielmente o interesse das classes excluídas socialmente.

Os negros deixaram sua marca na cultura do país, marcada por uma luta social constante e fidelidade às suas raízes, enriquecendo nossa arte com sua essência e sentimento. Por todo o mundo, deixam sua marca por onde passam, através de sua cultura, como exemplo do papel da valorização de suas raízes culturais, que se tornaram referência da importância da arte popular feita realmente pelo povo.