domingo, 23 de maio de 2010

"Bestsellers" no supermercado

Um dia desses, fui surpreendido por uma estante de livros quando fazia compras em um supermercado. Os livros ou volumes, quase todos com selos de números de vendas ou, pelo menos, indicações de que seriam “bestsellers”, me levaram, em poucos minutos, a um sentimento de estranha admiração. Não que eu me preocupasse em ler livros comercialmente bem sucedidos, mas fiquei surpreso ao ver livros em geral com uma acessibilidade que há certo tempo seria surreal.

De um lado, passei os olhos desinteressados por livros de auto-ajuda. Com o tempo, percebi que, até certo ponto da estante, os livros de literatura e auto-ajuda pareciam estar misturados entre si, dando uma leve impressão de que, pelo menos ali, não havia distinção entre a função de ambos os gêneros.

Se, por um lado, esse tipo de acessibilidade pode incentivar a leitura além do ramo ainda restrito das grandes livrarias, também pode limitar as opções de compra de títulos a partir da ‘comercialidade’ dos mesmos, deturpando, muitas vezes, o que representa a qualidade de uma obra literária.

Porém, inegavelmente, pode ser um passo, ainda que curto, para levar a literatura a pessoas que nunca tiveram o hábito ou a oportunidade de ler um livro, ou, pelo menos, chamar a atenção para a importância que o universo dos livros tem.

quinta-feira, 20 de maio de 2010

Rock'n'Roll: uma história de peso!

Desde que o cantor e guitarrista Chuck Berry, entre outros, modernizou e acelerou o blues, consolidando o que viria a ser o Rock’n’roll de raiz, o Rock já nascia rodeado por polêmicas. O gênero musical talvez seja, ao mesmo tempo, o mais vanguardista e contestador e um dos que se mantêm com alguns dos mais fiéis seguidores do mundo da música.

Para quem acha que o bom e velho Rock’n’Roll é sempre igual, basta escutar discos entre os diversos e múltiplos movimentos musicais que o englobam. Os próprios garotos de Liverpool (Beatles) foram uma metamorfose ambulante durante sua carreira, começando como uma banda mais comercial para a época e sendo considerada posteriormente uma banda quase psicodélica, com clássicos absolutos como ‘Lucy in the Sky with Diamonds’ e ‘Come Together’, só para citar alguns.

Enquanto isso, os Rolling Stones e The Who sempre foram eternos rebeldes do Rock inglês, se contrapondo à temática inicial das canções dos Beatles, como em músicas mais influenciadas pelo Blues genuíno e uma veia mais abrangente em termos musicais. Com o tempo, de forma mais reflexiva e implícita, os Beatles passaram também a exercer papel fundamental para a visão crítica e rebelde da juventude da época, até mesmo pelo sucesso inegável que a banda já havia alcançado.

Do Rock Progressivo, que teve seu auge do final da década de 60 ao início dos anos 70, podemos destacar entre as bandas que se eternizaram como ícones do estilo que impôs experimentalismo e riqueza harmônica extrema ao Rock, expoentes de peso como Pink Floyd, Jethro Tull, Camel, Focus, Yes, Premiata Forneria Marconi, King Crinsom, entre muitos outros que tiveram seus altos e baixos.

Em meados dos anos 70, houve uma mudança radical no Rock, surgindo assim o Punk Rock, de Sex Pistols a The Clash e, posteriormente, seus derivados. O Punk Rock marcou época com um som anárquico e direto contra uma Inglaterra lembrada com certo saudosismo pelo Queen. No Punk Rock, diferentemente da abrangência sonora do Queen, surgiu o lema “faça você mesmo”.

A partir da mudança imposta pelo Punk Rock, vieram vertentes menos radicais e que passaram a mesclar sonoridades dentro do subgênero, como o Pós Punk, que deu origem ao Rock gótico em geral por sua veia simples, porém fortemente melancólica e introspectiva, a partir de nomes como Smiths, Siouxsie and The Banshees e Sisters of Mercy.

A partir dos anos 80, houve uma verdadeira revolução no Heavy Metal, oriundo do Hard Rock, e no Rock alternativo em geral, influenciado pelo Pós Punk e até pela música Folk americana. Após esse período, houve outros movimentos musicais que também foram importantes para a evolução do Rock atual, porém como evoluções de estilos anteriores, muitas vezes mesclados de forma a criar-se novos subgêneros.

Até os dias de hoje, o Rock’n’Roll fez e faz parte de inúmeras gerações e teve papel fundamental para a visão crítica de jovens de diversas épocas, do pacifismo rebelde de Woodstock ao peso impactante do Heavy Metal.

domingo, 16 de maio de 2010

Esperança para o mercado fonográfico?

Segundo a edição brasileira deste mês da revista Billboard, reconhecida mundialmente como uma das mais importantes publicações especializadas em música, o sucesso de vendas do mais recente álbum solo do guitarrista Slash (ex-Guns’n’Roses e Velvet Revolver) se apresenta como uma esperançosa alternativa para representantes do mercado fonográfico.

Slash teve seu álbum lançado em um pacote que integra o CD, auto-intitulado, acompanhado de uma edição especial da famosa revista Classic Rock. O sucesso das vendas ultrapassou as expectativas dos representantes pela distribuição tanto do CD quanto da revista, que pesquisam a idéia de lançar trabalhos de outros artistas veteranos neste formato, do “brutal” Slayer ao eletrônico Depeche Mode.

Este tipo de distribuição também já foi testado por alguns artistas no Brasil há certo tempo como Supla e o guitarrista “Tomati”, que integra a banda do programa do apresentador e entrevistador Jô Soares.

Por aqui, este tipo de lançamento pode servir, também, como uma experiência para fortalecer a divulgação e o incentivo a alguns artistas, dos famosos aos não tão conhecidos, até mesmo de forma independente, já que, de acordo com declarações de diversos músicos brasileiros, as grandes gravadoras no Brasil aparentam não valorizar o artista em geral pelo seu trabalho de forma justa.