segunda-feira, 20 de abril de 2009

Exposição: Roberto Burle Marx - A permanência do instável

Completando 100 anos de nascimento de Roberto Burle Marx, o Museu do Paço Imperial homenageia o paisagista brasileiro – reconhecido internacionalmente – com uma exposição mais que completa de suas obras e projetos. De projetos paisagísticos e cenários para espetáculos a pinturas - abstratas ou não -, é uma bela demonstração da versatilidade do artista que, ao lado de nomes como Oscar Niemeyer, transformou espaços públicos em arte.

Os traços bem definidos, porém repletos de sensibilidade e complexidade, permeiam as diversas obras da exposição. Como pode ser visto nos "papéis de trabalho", Burle Marx experimentava permanentemente o desenvolvimento de uma estética paisagística abstrata. Porém, apesar de sua abstração, há uma imensa funcionalidade em seus projetos. Já suas pinturas – sejam elas as abstratas, os retratos ou as paisagens – apresentam, em traços belos e originais, cores vibrantes e bastante vida em termos de luzes e sombras, como pode ser visto em obras como “Mulher de Combinação Rosa”.

Curiosamente, na organização da exposição houve uma inversão na ordem cronológica das obras, levando o visitante a refletir por um outro ângulo a evolução do artista, partindo de sua maturidade artística e plena liberdade criativa ao seu período de formação.

quinta-feira, 16 de abril de 2009

Álbum clássico: Tim Maia - Racional (1975)




Entre as fases mais loucas do grandioso e problemático Tim Maia, a sua fase Racional se destaca pela criatividade, musicalidade e pela originalidade. Empolgado ao descobrir uma seita chamada Racional, envolvida com a ufologia e a ciência, Tim se aprofundou em sua nova ideologia a ponto de gravar importantes álbuns dedicados à sua nova crença, sendo eles os volumes 1 e 2 do álbum Racional. Quando desiludido posteriormente com a seita, o cantor mandou tirar de circulação os álbuns, o que os torna ainda mais raros.

Este álbum em particular, o mais clássico e alternativo da carreira de Tim Maia, é recheado de arranjos ‘suingados’ de guitarra, levadas contagiantes de bateria, além dos vocais sempre carregados de emoção pelo controverso ícone do Soul nacional, na época afastado dos vícios, o que se reflete positivamente em sua voz. Nem mesmo estranhas e marqueteiras citações - como “Leia o livro ‘Universo em Desencanto’” - comprometem o trabalho, graças à grande musicalidade e sentimento expressos no álbum.

No álbum, há grandes passagens instrumentais que transitam entre a ‘soul music’ americana e a música brasileira, em meio a coros e vocalizações emocionantes e viajantes. Um álbum clássico e alternativo ao mesmo tempo, que demonstra um Tim Maia saudável, feliz, com uma liberdade de expressão “inofensiva” e poderosa, sem medo de ser incompreendido por sua devoção entusiasmada.

quarta-feira, 8 de abril de 2009

"In Art We Trust"

Da Pop Art aos filmes de Hollywood, os 'States' sempre utilizaram a arte como uma ambiciosa e subliminar manipulação em massa de seus ideais culturais, sociais e políticos. Essa estratégia de marketing através das artes, porém, não foi usada apenas pelos americanos. Até mesmo em países distantes, culturalmente e geograficamente, vários movimentos culturais foram "criados" para defender e transmitir idéias diversas e adversas entre si.

Do Renascimento e o boom das artes e ciências na Europa ao Expressionismo, as artes são elementos essenciais na difusão de culturas e ideais sociais. Em regimes políticos ditatoriais ou liberais, há um uso ideológico sobre as obras de arte que, por muitas vezes, refletem as vontades do artista ou pelo menos o inconsciente coletivo que o cerca.

Quando isso ocorre pelo inconsciente coletivo, pode ser um sinal de que o próprio artista foi afetado, propagando uma idéia, que nem sempre corresponde à sua vontade ou ideal, mas somente pela inspiração ou interpretação do mundo e dos fatos em sua volta.

terça-feira, 7 de abril de 2009

Livro clássico: "Admirável Mundo Novo" (Aldous Huxley)




Em um mundo tomado pela artificialidade – no qual bebês eram feitos em laboratórios, divididos por castas e setores - e pelo consumo de soma, uma droga que leva o usuário ao esquecimento proposital, Bernard sentia que não conseguia se enquadrar, que era diferente. Sempre incompreendido por todos, com atitudes “estranhas” para sua época, ele chegou a tentar mostrar um lado mais orgânico – ou humano – para sua companheira, mas ela já estava tomada pelo soma.

Quando viajaram de férias, se perderam e acharam uma tribo “primitiva”, onde havia até uma mãe, o que causou horror à “companheira” de Bernard. Lá conheceram um menino “selvagem” que poderia ser uma arma para Bernard quando voltasse àquele mundo artificial. Porém, o garoto não conseguia compreender tal mundo, onde leituras de Shakespeare não eram apreciadas, mas a Música Sintética sim.

O garoto, que viu a mãe morrer nesse “novo” mundo, não se adaptou e passou a ter sérios conflitos, além de tentar fazer com que o compreendessem a qualquer custo, se rebelando contra o sistema daquele mundo.

O livro, lançado em 1932 e escrito por Aldous Huxley, gênio visionário da literatura inglesa, mostra até os dias de hoje, através de uma leitura fluida e sua escrita inteligente e poeticamente subversiva, como, com um apurado senso crítico, uma obra pode transcender seu tempo.