sexta-feira, 27 de abril de 2012

"Não deixe o Samba morrer, não deixe o Samba acabar"


É inegável que o Samba pode ser feito de várias formas, sem que seja descaracterizado em sua concepção original. Antigas vertentes do gênero, como o Samba-canção e o Partido Alto, - citando apenas alguns dos diversos exemplos existentes - apresentam até hoje um caráter popular capaz de contagiar facilmente o povo, seja por identificação pessoal ou social, através de letras que falam de forma direta, com a irreverência típica de Adoniran Barbosa e Dicró, a elegante malandragem de Noel Rosa ou o sentimento profundo de Cartola.

O Samba, com o tempo, foi se tornando esquecido pela mídia e pelo público, enquanto fervia o surgimento de grupos de um tipo de Pagode direcionado de forma demasiada para o lado romântico, com uma linha nitidamente comercial, aparentando certa ausência de preocupação com a identificação social que já lhe foi característica. Alguns dos mais renomados representantes do Samba, quando vivos, já são vistos como lendas, porém sem o devido reconhecimento.

Podem ser feitas comparações a respeito da relação do Samba antigo com parte do Pagode atual similares à relação estabelecida entre a música caipira e o sertanejo romântico. Vale ressaltar que o Pagode, enquanto vertente do Samba, já foi caracterizado por ser tocado por diversão em fundos de quintal, entre outros meios, antes de seu "boom" comercial.

Reconheço que pode ser difícil escolher, dentro da abrangência do gênero, uma forma específica de se fazer e ou ouvir Samba, mas não se assuste se você ouvir um jovem fã de Pagode dizendo que determinada música feita por um compositor antigo é coisa de velho. Infelizmente, os tempos mudaram, assim como o grau de interesse das recentes gerações.

Apesar de tudo, para a alegria de nossa música, o Samba não está morto! Ainda há nomes consagrados e artistas talentosos que conseguem renovar o estilo musical com competência, talvez precisando apenas de mais holofotes para que tenham seus trabalhos devidamente conhecidos.

2 comentários:

Roça de Livros disse...

Legal, Rafael! O país seria muito melhor se mais jovens tivessem a curiosidade intelectual que você tem. Abs. Tereza

Rafael Saraiva disse...

Muito obrigado, Tereza! Comentários como esse me motivam a escrever cada vez mais, tentando melhorar a cada dia. Abraços!